terça-feira, 30 de agosto de 2011

A culpa é toda do Professor Pardal

Muita gente me pergunta como foi minha jornada musical. Não é algo muito fácil de responder. Afinal, sou sobrinho de maestro, filho de compositor de escola de samba, passei minha primeira infância arrebentando codas de cavaco, banjo, violões e mexendo em todo instrumento que em virtude do processo criativo, iam lá pra casa com seus donos, que nem sempre os levavam de volta. Daí, o paraíso de criança curiosa estava feito. Tive o raro privilégio de presenciar a confecção de coisas que me lembro até hoje, melodias e letras que nunca me deixaram e provavelmente, nunca deixarão. Também foi um prazer imenso conhecer grandes interpretes da nossa MPB. 


Cresci ouvindo boa música. Aliás, cresci ouvindo música. Quem conhece meu pai sabe que na casa dele a música só para pra dormir.
Ouvi muita coisa das discotecas (velharia, heim!?), anos 70, Carpinters (estou reapaixonado por estes), Abba, Barbara Streinsend, Geoge Benson, Ray Coniff, se postar tudo aqui o post triplica só com nomes... a "Antena 1 - Light FM" era a boa da noite, dormia com aqueles fones quase maiores que a minha cabeça(srsrsr)... só curtindo um som legal.


Samba? Vixi, isso eu escutei o tanto que comi, a Rádio Tropical era a única que tocava exclusivamente tudo o que se referia a samba, desde samba-canção até samba de partido alto(improviso - sou fã). Sem contar detalhar a vivência na quadra da Beija-Flor, onde passei quase todos os finais de semana, fosse em disputas de sambas-enredo, em festivais ou em festas da ala dos compositores. Olhando por aí, eu deveria ser sambista... srsrsrs! 


O curioso é que com 8 anos, não havia ainda, um instrumento sequer que me chamasse a atenção. Mas eu tinha um avô que podia trocar o nome para "Professor Pardal" (quanta saudade) de tanto que inventava moda. Uma delas foi tocar violão, ficava grande parte do dia tocando violão e cantando letras com coisas que criança gosta de falar (cocô, xixi, meleca, peido... rindo só de lembrar!), e toda vez que eu chagava na casa dos meus avós, ele cismava de tentar me ensinar... "Macus" (meus avós nunca conseguiram dizer o meu nome... por que será?) vem aqui. Aí comçava: "dedinho alí, a mão direita faz isso, aí chá-com-pão, chá-com-pão. Nunca deu certo, nunca quis. Mas um dia ele disse algo que repetiu até o último dia de vida, fragilizado por um AVC: "Erza (minha avó Elza, a única que não me chamou de Macus), Erza, quando eu morrer você vai dar esse vilão pro Macus (eu), esse menino leva jeito", e dizia o mesmo pra toda a família, tanto que no dia seguinte ao sepultamento a "encomenda" chegou. Um tonante amarelado, encordoamento de aço, com "cristal", uma caixa amplificada e revistinhas com um monte de música que não conhecia. Eram hinos, descobri uns três anos mais tarde. 


Quem diria?
Comecei a tocar porque ganhei uma herança póstuma.
Então, a culpa é toda do Sr. Matias, meu avô, o "Professor Pardal"!


Continua... (afinal. foi só o começo!)   
IntéMax!

Um comentário:

Úrsula Brasil disse...

Uau, fiquei muito emocionada!!! Ainda tenho tanto que aprender sobre você...estou ansiosa...rs. Ficou super legal, amor. Te amo!