sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O "Brasil para Jesus", uma grande piada!

Alguns podem e certamente me chamarão de pessimista, mas o que vejo para os próximos anos, ou melhor dizendo, para 2012 é algo muito perto do fim anunciado pelos místicos e sobretudo, uma clara reafirmação de 2ª Co. 4 - A GOTA D'ÁGUA. Parte do meu pensamento é expresso no comentário que fiz, respondendo um amigo, em um post no FB, onde pode ser visto na íntegra (deu pano para manga). Depois de não mais aguentar ver a defesa contumaz de vendilhão, argumentei sobre a mudança do discurso de alguns líderes, de forma específica do "Mala":

Um pregador que antes dizia "pau" e afirmava que quem pregasse "pedra" era charlatão, 171 mesmo, e hoje prega "pedra" como se nada fosse... que credibilidade esse cara merece?
A palavra do crente é sim ou não... então pq a pregação dessa galera mudou?
Te digo meu irmão... preferiram o dinheiro... venderam a fé... prostituíram seus ministérios... tenho que dar credibilidade a alguém assim? Tenho que me calar e fingir que está tudo bem?
Creio que não!
Sou inquietado pela Verdade que liberta!


Pensando no panorama do evangelicalismo tupiniquim, me peguei em prantos. Creio que se os crentes acordassem de fato, parariam com o senil sonho de "o Brasil para Cristo". Qualquer observador, por menos crítico que seja, enxergará um Brasil cada vez mais sincreta e consequentemente, um evangelho (minúsculo mesmo) cada vez mais descaracterizado. A história recente prova minha tese. Amo o estado onde nasci e principalmente o município que me viu crescer, Nilópolis-RJ, mas um observação faz-se necessária: 
Quem chega ou retorna ao estado do Rio, fica perplexo. Hoje, há um número incontável de igrejas evangélicas e ditas evangélicas, topa-se com um "crente" a todo instante e o vernáculo gospel está na boca do povo, é varão pra lá, é vaso pra cá e "tremeeeendo" em todo o canto. Então, se o crente deve ser sal e luz (já falei sobre suas propriedades), por quê nada muda e vemos o número cada vez maior de "crentes" envolvidos em falcatruas e escândalos por lá? É muito simples, o problema é a qualidade. Mas equivoca-se quem entende ser esse um fenômeno apenas carioca, não é mesmo!

O Censo 2012 ainda não apresentou sequer um prévia do aspecto religioso do brasileiro. Afirmo, porém, que podemos nos preparar para um grande salto na porcentagem dos ditos evangélicos. Digo também, que desse mar de gente, uma "peneira santa" levaria mais de 80%, e isso sendo muito otimista. Contradizendo um famoso slogan publicitário: OS BONS NÃO SÃO MAIORIA!
Com o crescimento das famigeradas "portinhas de bençãos urgentes" e a adesão a teologia da prosperidade cada vez maior por parte de pregadores antigos (deveriam ser mais cuidadosos ao invés de gananciosos), o que se nos apresenta pode facilmente ser entendido nas palavras do apóstolo Paulo no referido capítulo e parafraseado da seguinte forma:

"Embora haja no nosso meio inúmeros vendilhões, feito cegos pelo diabo, que em benefício próprio adulteraram a Palavra, pregando o que lhes vêm do ventre (bosta mesmo) e enganando milhares de milhares, não desanimaremos; mas continuaremos e ainda mais fortes, pois o Ministério que temos nos foi dado por Deus, de quem somos servos por amor de Jesus". 

Minha oração nesses dias é por um avivamento que exponha pecados, limpe a Igreja que foi comprada com o Puro e Precioso Sangue que os vendilhões insistem em macular e traga o misto de gente para a Palavra!!  

Pai, tenha misericórdia de nós!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

IURD e o modelo Neopentecostal

Em minhas leituras:

Neopentecostalismo e sociedade

“Encabeçado pela Igreja Universal, o neopentecostalismo é a vertente pentecostal que mais cresce atualmente e a que ocupa maior espaço na televisão brasileira, seja como proprietária de emissoras de TV, seja como produtora e difusora de programas de televangelismo. Do ponto de vista comportamental, é a mais liberal. Haja vista que suprimiu características sectárias tradicionais do pentecostalismo e rompeu com boa parte do ascetismo contracultural tipificado no estereótipo pelo qual os crentes eram reconhecidos e, volta e meia,estigmatizados. [...]

De modo que seus fiéis foram liberados para vestir roupas da moda, usar cosméticos e demais produtos de
embelezamento, freqüentar praias, piscinas, cinemas, teatros, torcer para times de futebol, praticar esportes
variados, assistir a televisão e vídeos, tocar e ouvir diferentes ritmos musicais. Práticas que, nos últimos
anos, também foram sendo paulatinamente permitidas por igrejas pentecostais das vertentes precedentes, com exceção da Deus é Amor, que manteve incólume a velha rigidez ascética. Em todas as vertentes permanece, porém, a interdição ao consumo de álcool, tabaco e drogas e ao sexo extraconjugal e homossexual.”
(MARIANO, R. Estudos Avançados, 18, 2004, p. 124).

“Sem perder necessariamente sua distintividade religiosa, as igrejas neopentecostais revelam-se, entre as
pentecostais, as mais inclinadas a acomodarem-se à sociedade abrangente e a seus valores, interesses e
práticas. Daí seus cultos basearem-se na oferta especializada de serviços mágico-religiosos, de cunho
terapêutico e taumatúrgico, centrados em promessas de concessão divina de prosperidade material, cura física e emocional e de resolução de problemas familiares, afetivos, amorosos e de sociabilidade. Oferta sob medida para atender a demandas de quem crê que pode se dar bem nesta vida e neste mundo recorrendo a instituições intermediárias de forças sobrenaturais. [...]

Com tal estratégia, empregada também nos evangelismos pessoal e eletrônico, atraem e convertem
majoritariamente indivíduos dos estratos pobres da população, muitos deles carentes e em crise pessoal,
geralmente mais vulneráveis a esse tipo de prédica. Não obstante o apelo sistemático à oferta de soluções mágicas configure uma prática usual nas religiões populares no Brasil, observa-se que, no caso neopentecostal, tal procedimento, diferentemente do que ocorre no catolicismo popular, por exemplo, é orquestrado pelas lideranças eclesiásticas e posto em ação nos cultos oficiais e por meio do evangelismo eletrônico.” (MARIANO, R. Estudos Avançados, 18, 2004, p. 124).


«Assim, o ponto de partida da IURD é o pentecostalismo de alguns televangelistas norteamericanos, porém a sua flexibidade é própria de uma entidade que se posiciona bem num ambiente pluralista e concorrencial. A sua identidade é construída por meio das referências aos concorrentes (católicos, afro-brasileiros e kardecistas), com os quais ela se envolve em renhidas lutas simbólicas. A IURD é um empreendimento que nasceu sob a égide da «guerra santa», cuja separação maniqueísta entre Deus e o diabo divide todas as suas atividades e estratégias.» (CAMPOS, L. S. Lusotopie 1999, pp. 355-367).

Teatro
«A Igreja universal é um teatro, onde atores (pregadores e fiéis) participam dramaticamente de um espetáculo de fé. Em seu palco um pastor/ator tangibiliza as forças sagradas diante de uma multidão que, como em um teatro de arena, também participa da encenação, com gestos, no manejo de objetos corriqueiros transformados em cúlticos, na movimentação das pessoas pelo espaço, no balancear dos corpos, nas palmas ritmadas, nas cenas de exorcismo e nas dramatizações de episódios bíblicos. [...]

Com isso reconstrói-se, no interior de uma cultura secularizada, novas ilhas carregadas daquela dinâmica
que emerge do sagrado, integrando ao mesmo tempo as forças que vêm do inconsciente coletivo e se manifestam em uma vida cotidiana tão carente de sentido e significado. A transformação do culto religioso num espetáculo de fé revitaliza o serviço religioso do protestantismo tradicional, quase sempre calcado em
práticas racionalizantes. Dessa forma substitui-se nesse espetáculo o pastor-doutor, ou professor, pelo pastor-ator que se sobressai através do sucesso de suas técnicas de persuasão, recrutamento de adeptos e levantamento de ofertas.» (CAMPOS, L. S. Lusotopie 1999, pp. 355-367).

Templo
«A IURD mantém uma certa atitude dessacralizadora para com o local do culto, pois, Deus habita nas pessoas e tal ligação se expressa por meio de ritos carregados de emoções. Por isso há nessa Igreja uma concepção de templo que difere de outros grupos religiosos de origem protestante. O templo é um «espaço energético» carregado de forças divinas atribuídas ao Espírito Santo. Nele o espaço foi consagrado à Deus e traz as marcas de sua ação vitoriosa sobre as forças do caos e da desordem demoníaca, que vêm da rua. O templo é a «casa de Deus», o lugar «onde um milagre espera por você», como afirma um de seus slogans. [...]

Assim, num mundo habitado por demônios, o templo se apresenta como um território sobre o qual os
demônios não tem poder. Adentrar-se a um templo iurdiano já é meio caminho andado em direção à
obtenção de um milagre desejado. À semelhança do mesmerismo ou das teorias kardecistas, na IURD crê-
se que do templo irradia um «fluído vital» canalizado pelas ondas hertzianas em direção aos receptores de
rádio ou de televisão, materializando-se no copo de água posto sobre o receptor de televisão, que por
causa da «oração forte» do pastor está carregado de um poder de cura vindo do próprio Deus. [...]

A IURD regula os espaços, tempos e movimentos, em ritmos e cadências programados racionalmente,
dentro da concepção urbana de tempo. Os dias e horas são padronizadas, e arbitrariamente divididos
em «correntes» e «campanhas» especiais. A unidade de tempo mínima de seu calendário é o dia e para
cada um deles há uma corrente, que segmenta o público conforme suas necessidades e desejos. Essas
correntes se repetem todas as semanas, enquanto as campanhas e «semanas especiais» são atividades
sazonais, realizadas conforme as exigências e circunstâncias locais.» (CAMPOS, L. S. Lusotopie 1999, pp. 355-367).

Mercado

«A Igreja universal possui uma refinada perspectiva de marketing, pois procura conhecer o seu público,
padronizar os «produtos», transformar as pessoas em participantes do processo de «produção», segmentar
a audiência, oferecendo-lhes exatamente o que se pensa precisar e desejar naquele momento. Isto é, ela
não se contenta em oferecer um «produto genérico», que é o principal benefício esperado pelo consumidor.
Muito pelo contrário, ela oferece um «produto ampliado», o qual é desdobrado em outros produtos como cura, prosperidade, comunidade de apoio e outros mais. [...]

Nos templos da IURD os consumidores religiosos escolhem aqueles produtos que mais se relacionam com
suas necessidades e arquiteturam em sua própria cabeça o produto desejado, conforme as suas aspirações.
Isto é, a Igreja universal oferece um kit contendo os ingredientes de um produto retrabalhado no imaginário
do «consumidor». O preço a ser pago para a satisfação dos desejos na IURD é monetarizado. Daí a importância em sua pregação de temas como «sacrifício do dinheiro», «ofertas de amor», pois «dar o dízimo é candidatar-se a receber bênçãos sem medida», repete o seu fundador.” (CAMPOS, L. S. Lusotopie 1999, pp. 355-367).








sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um pequeno Raio-X do "neo-pentecostalismo"



Concluindo meus trabalhos de convalidação, tive a oportunidade de conhecer um trabalho de pesquisa do Dr. Júlio Paulo T. Zabatiero, o qual reproduzo em parte. Na esperança de que algum neopentescostal leia e sendo convencido pela própria inteligência, mas principalmente, pelo Santo Espírito de Deus, seja por Ele convencido, oro para que o texto abaixo cumpra tal propósito.

Origens
O neopentecostalismo tem suas origens nos EUA, anos 1940 e bem sucedido a partir dos anos 1970; Lá é chamado, variadamente, de: Health and Wealth Gospel (Evangelho da Saúde e Prosperidade), Faith Movement (Movimento de Fé), Faith Prosperity Doctrines (Doutrinas da Fé e Prosperidade), ou Positive Confession (Confissão Positiva).


Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da fórmula da fé ou da doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas contemporâneos, sob a liderança e inspiração de Essek William Kenyon. A expressão “confissão positiva” pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.

Neopentecostalismo e pós-modernidade

Enquanto o protestantismo histórico e o pentecostalismo são expressões modernas da fé cristã, o neopentecostalismo é uma expressão tipicamente pós-moderna da fé cristã. O neopentecostalismo conforma-se com algumas das principais marcas do pósmoderno: individualismo consumista, hipervalorização da saúde e do dinheiro, espetacularização da crença, espacialização concentrada e temporalidade hiperacelerada.

Características identitárias gerais


Individualismo consumista: a fé é vivenciada como um mecanismo estratégico para alcançar, de forma mágica, bens simbólicos e, especialmente, corpóreos e materiais; A reunião cúltica não visa primariamente a
comunhão, mas o fortalecimento da fé individual, mediante o testemunho do sucesso da fé de outros indivíduos em suas lutas contra a falta de saúde, o fracasso matrimonial e a busca do dinheiro e bens.

Hipervalorização da saúde e do dinheiro: o culto secular ao corpo é reencantado, de modo que o corpo se torna a sede da luta espiritual: contra os demônios que dele tentam se apossar e contra as
doenças (efeitos demoníacos) que o fazem incapaz de alcançar a felicidade plena.

O culto secular ao dinheiro é espiritualizado, de modo que este se torna um meio mágico para alcançar a sua auto-multiplicação na bolsa celestial de valores mediante a contribuição/investimento.

Espetacularização da crença: assim como a sociedade pós-moderna é espetacular, o culto e a crença neopentecostais são espetaculares: a crença é teatralizada na liturgia, mediante os exorcismos (ritos de passagem-libertação), os testemunhos (ritos de confirmação da fé), o miseen-scène do pregador em sua captação da fé=recursos financeiros do freqüentador do Templo – captado, por sua vez, mediante o uso
inteligente e massivo da mídia.

Espacialização concentrada: o Templo é o não-lugar que assume a característica do lugar-por-excelência.

Enquanto a propagação da crença neopentecostal se dá através da mídia, especialmente a TV, é no templo que o crente neopentecostal experimenta o sagrado enquanto uma catarse, uma libertação, que o capacita para enfrentar a sociedade concorrencial do capitalismo neo-liberal.

Temporalidade hiper-acelerada: enfim, como na identidade pós-moderna secular, o crente neopentecostal experimenta uma hiperaceleração do tempo - nas campanhas religiosas bem orquestradas, nos rituais de
passagem e purificação (especialmente o exorcismo), nos ritos confirmatórios (testemunhos) – a bênção é alcançada imediatamente, o tempo é reencantado – subjugado ao poder da fé e centrado na hostilidade contra as forças do mal.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Minha terra, meu povo!



Sempre que se fala de mudança, uma das primeiras questões que geralmente é levantada, sem dúvida alguma, é a adaptação. Se desconsiderado, pode levar uma família missionária a mudar de campo mais rápido do que se possa imaginar. Conheço casos de mudanças em menos de um mês, conheço também permanências contrariadas datadas com mais de cinco anos. Assim, digo que a questão não é o tempo de permanência no campo, mas a disposição em estar lá!

Penso que chegando em um novo desafio, campo, igreja, cidade, povo, enfim, uma nova realidade, deve haver no vocacionado a firme disposição de fazer de tudo isso algo próprio, seu mesmo. Não é ignorar a vida ou os relacionamentos da última morada, mas entender que tudo pode ser melhor agora, no sentido de que os erros cometidos anteriormente não devem ser repetidos.

O aprendizado anterior fez do obreiro, necessariamente, alguém mais sensível às demandas do rebanho e às próprias. Seus limites foram testados e se houve afã em progredir, toda crítica foi muito bem vinda.

Mas voltando à adaptação, penso que uma das formas mais eficazes de encurtar essa fase tão crítica para alguns está na vontade. Ninguém se adapta se não quiser. Para quem não quer ficar, tudo é desculpa, tudo é ensejo!

Não sou "A SUMIDADE", mas posso compartilhar algumas impressões:
A chegada ao novo campo deve ser esperada, quase gerada, engravidar mesmo... durante "a gravidez", o amor pelo novo campo deve nutrir suas expectativas. Ah, muito importante... cuidado com pacotes prontos, uma vez que não conhece  o novo campo, levar algo desconsiderando a real necessidade local pode ser desastroso. Lembre-se, cada campo é único e precisa de um projeto particular.
Encontrará pessoas que esperam muito de você, talvez, até mais do que pode dar... não se preocupe, faça a sua parte. Observe, observe muito, mas não seja omisso... sua observação fará parte do plano de ação.
Não imponha simplesmente, sua autoridade precisa ser conquistada, afinal... está aberta a caça aos ditadores e creio que logo serão extintos... srsrsrsr!


Ame a terra como se a sua fosse, apaixone-se pelo povo, ouça-os, entenda-os e sobretudo... AME-OS!
O amor devotado a suas ovelhas só não pode ser maior ao que tributa à família. Encare a realidade de que você é passageiro, mas o campo, esse fica, se você não o enterrar... se algo prejudicar sua vida em família, querido irmão, não deixe que sua família sinta algo negativo em relação ao campo, à igreja ou aos irmãos... simplesmente SAIA! Ame seu campo, mas ame muuuuuuuuuito mais a sua família.

Que o Dono da Seara nos abençoe!