sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um pequeno Raio-X do "neo-pentecostalismo"



Concluindo meus trabalhos de convalidação, tive a oportunidade de conhecer um trabalho de pesquisa do Dr. Júlio Paulo T. Zabatiero, o qual reproduzo em parte. Na esperança de que algum neopentescostal leia e sendo convencido pela própria inteligência, mas principalmente, pelo Santo Espírito de Deus, seja por Ele convencido, oro para que o texto abaixo cumpra tal propósito.

Origens
O neopentecostalismo tem suas origens nos EUA, anos 1940 e bem sucedido a partir dos anos 1970; Lá é chamado, variadamente, de: Health and Wealth Gospel (Evangelho da Saúde e Prosperidade), Faith Movement (Movimento de Fé), Faith Prosperity Doctrines (Doutrinas da Fé e Prosperidade), ou Positive Confession (Confissão Positiva).


Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da fórmula da fé ou da doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas contemporâneos, sob a liderança e inspiração de Essek William Kenyon. A expressão “confissão positiva” pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.

Neopentecostalismo e pós-modernidade

Enquanto o protestantismo histórico e o pentecostalismo são expressões modernas da fé cristã, o neopentecostalismo é uma expressão tipicamente pós-moderna da fé cristã. O neopentecostalismo conforma-se com algumas das principais marcas do pósmoderno: individualismo consumista, hipervalorização da saúde e do dinheiro, espetacularização da crença, espacialização concentrada e temporalidade hiperacelerada.

Características identitárias gerais


Individualismo consumista: a fé é vivenciada como um mecanismo estratégico para alcançar, de forma mágica, bens simbólicos e, especialmente, corpóreos e materiais; A reunião cúltica não visa primariamente a
comunhão, mas o fortalecimento da fé individual, mediante o testemunho do sucesso da fé de outros indivíduos em suas lutas contra a falta de saúde, o fracasso matrimonial e a busca do dinheiro e bens.

Hipervalorização da saúde e do dinheiro: o culto secular ao corpo é reencantado, de modo que o corpo se torna a sede da luta espiritual: contra os demônios que dele tentam se apossar e contra as
doenças (efeitos demoníacos) que o fazem incapaz de alcançar a felicidade plena.

O culto secular ao dinheiro é espiritualizado, de modo que este se torna um meio mágico para alcançar a sua auto-multiplicação na bolsa celestial de valores mediante a contribuição/investimento.

Espetacularização da crença: assim como a sociedade pós-moderna é espetacular, o culto e a crença neopentecostais são espetaculares: a crença é teatralizada na liturgia, mediante os exorcismos (ritos de passagem-libertação), os testemunhos (ritos de confirmação da fé), o miseen-scène do pregador em sua captação da fé=recursos financeiros do freqüentador do Templo – captado, por sua vez, mediante o uso
inteligente e massivo da mídia.

Espacialização concentrada: o Templo é o não-lugar que assume a característica do lugar-por-excelência.

Enquanto a propagação da crença neopentecostal se dá através da mídia, especialmente a TV, é no templo que o crente neopentecostal experimenta o sagrado enquanto uma catarse, uma libertação, que o capacita para enfrentar a sociedade concorrencial do capitalismo neo-liberal.

Temporalidade hiper-acelerada: enfim, como na identidade pós-moderna secular, o crente neopentecostal experimenta uma hiperaceleração do tempo - nas campanhas religiosas bem orquestradas, nos rituais de
passagem e purificação (especialmente o exorcismo), nos ritos confirmatórios (testemunhos) – a bênção é alcançada imediatamente, o tempo é reencantado – subjugado ao poder da fé e centrado na hostilidade contra as forças do mal.

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