quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Oração ou MST's?


Calma meus irmãos, não sou, nunca fui e nunca serei contra a prática da oração. Entendido?
Tenho observado no entanto, a oração morrer nos círculos evangélicos e em alguns lugares, a prática piedosa e devocional de elevar a Deus vozes súplices, com ações de graças foi substituída por performances circenses cada vez mais pirotécnicas.
Não é incomum encontrar grupos que se dizem cheios do "poder", mas abandonaram o culto de oração. Na minha observação, quem abandona o culto de oração, igualmente abandonou a prática devocional, o momento a sós com Deus.

Dentre os que não abandonaram a oração, está um grupo que necessita das nossas oração. Acompanhe o raciocínio, talvez concorde comigo:
O grupo referido é a galera que insiste em "pressionar" Deus com o que denomino MST's (mantras-solucionáticos-tabajara) ou se preferir, as famosas "palavras proféticas" tais como... "eu determino", "chamo a existência", "eu profetizo", "eu exijo, não aceito, rejeito e muitas outras, seria praticamente impossível catalogá-las todas, a cada racha de igreja "profética" um novo líder esquizofrênico aumenta o repertório dos MST's. Nesse meio, são conhecidas como "palavras de poder".

Grande parte das pessoas que se dizem cristãs conhece a ideia corrente de que a oração lança uma dívida nos "ombros" de Deus, que não tem outra alternativa, senão, pagar. A perspectiva de que a oração é a conformação da nossa vontade à de Deus, se perdeu. Agora é diferente, segundo eles, "eu oro e Deus tem que fazer". Já ouvi desses "líderes" mais exaltados o seguinte cometário: "Aqui não tem essa história de se Deus quiser não, aqui Ele quer!"
É claro, por trás está a visão de que toda a oração feita naquela "igreja" será atendida, ainda que não reflita a vontade de Deus.
Sinceridade? Creio que agindo como crianças mimadas, pirracentas, sem limites e que não sabem ouvir NÃO, não se faz outra coisa, além de aborrecer com egoísmo o Eterno Deus.

Olho para a Bíblia e vejo o Salvador orando em profunda contrição, sem esboçar qualquer coisa que possa ser confundida com palavras de ordem, antes, submissão à vontade soberana do Pai, ainda que essa trouxesse algum prejuízo, ainda que trouxesse algo nunca experimentado por Cristo, o peso, a culpa do pecado e consequentemente a separação momentânea de Deus na morte de cruz.

Tenho aprendido muito sobre Deus e sobre mim através da oração. Sei que não devo pedir algo que não vise primeiramente a glória de Cristo, que dê a outrem algum tipo de prejuízo ou não seja para o meu bem espiritual. Considerando dessa forma, entendo que não devo ser guiado por minhas vontades enquanto oro. Pois, fatalmente, cometerei os três erros já citados.

Mais uma vez no Getsêmani, (Mt. 26.36-46) observo Jesus em estreita comunhão com Deus através da oração, diferente dos discípulos que dormiram de tanta tristeza. O desânimo os havia abatido, e por isso são questionados por Cristo: "nem uma hora?". Aprendo aqui uma lição valiosa, Deus tem poder para resolver qualquer coisa em "um piscar de olhos", mas quer que oremos mais. E por quê? Somos fortalecidos na oração e passamos a conhecer Sua vontade! Isso mesmo, o maior beneficiado é quem ora, ainda que seja por outrem.

Outra coisa que me deixou bem atento foi a cadência e evidente mudança de postura nas três orações narradas no Texto. Observe:

1ª oração: "Meu Pai, se possível passa de mim este cálice. Todavia, não seja como eu quero,  mas como tu queres." (v.39)
2ª oração: "Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (v.42)
3ª oração: " "... repetiu as mesma palavras." (v.44)

Notou alguma coisa?
Nas três orações que Jesus faz no Getsêmani aprendo que NÃO também é resposta objetiva. Não é não e pronto. Compreendendo que Deus não o livraria de passar pela cruz, Jesus conforma o coração à vontade do Pai. Imagine que se Jesus estivesse em uma dessas "igrejas" dos MST's, provavelmente ouviria de um crente "mais santão": "Deus não te livra porque você não exercita a fé suficientemente!"

Ainda em Mateus, porém no capítulo 4.1-11, o diabo tenta a Jesus. Notem que das três propostas que o diabo fez, duas incitavam Jesus a orar ordenando, "declarando", "chamando à existência", "profetizando", "exigindo", "determinando", enfim, obrigando Deus a algo. Você já havia notado esse detalhe?

Creio que ninguém em sã consciência, que se diga cristão, ousaria falar nesses termos ao próprio pai.
Se não devemos fazê-lo ao nosso pai natural, por que o faríamos com Deus?

Oremos a Deus, em favor da multidão embriagada pela oração que Deus não ouve!



Se um pai se permite comandar pelo filho, é certamente um BANANA, mas não um pai... Quer saber? 
"Eu rejeito" um Deus que me obedeça... Se eu mando, logo não é Deus, mas um BANANA!



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